Tuesday, January 23, 2007
Como digo: sou um homem curioso. Mas não sou esse curioso por ser curioso. Mas não vejo nada contra também. Longe estou de querer salvar a humanidade. Leiam Shakespeare e irão entender. Nem sou mais aquele mitômano que vive dizendo que o mundo é uma merda e que esses burgueses só querem saber de si -- enquanto vou à europa com o meu jatinho ou que esses escritores também burgueses dessa indústria cutural desprezam-nos (nós pobres coitados - escritores unde - que vivemos da subsistência de uns mecenas toscos e que o nosso ideário é a sarjeta e a rejeição do mundo e que advogamos somente os nossos livros nos sebos ou jogados às traças). Gosto de estudar e vejo e leio qualquer coisa. Leio de Drauzio Varella a Said, de Budismo a Foucault. E não venha o senhor me perguntar se assimilei alguma coisa... Não, meu senhor, não assimilei nada. Continuarei sim errando pelos meus caminhos. O que aprendi da vida, nos livros? Não sei! Juro ao senhor que não sei... Se tenho em casa livros para ostentar... Sim, e por que motivo eu não os teria? Tenho e creio que nunca os lerei... Deixo-os perdidos junto aos meus bricabraques para o meu deleite. Bricabraques! Ah, sim, senhor, creio que aprendi essa palavra... Posto já ser alguma coisa... Não senhor, denego em seguir os teus conselhos, Conselheiro Acácio (que também busquei em teus livros) -- quanto ao senhor, jovem poeta e escritor reconhecido, apraz-me tão somente o interesse pelo desconhecido... Ficarei por ora, se me permites, com aqueles velhos livros ali daquela minha velha estante...

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