Sunday, January 21, 2007

O HOMEM CURIOSO
Estou voltando aos braços da minha curiosidade. Tenho me enfronhado novamente no meu quarto com um monte de livros. Logo agora que a casa passou por uma reforma. Graças ao empenho feminino de minha irmã e minha mãe. Levo uma gama de livros e fico perdido. Nem sempre leio tudo. Minha mochila até estourou ontem. Estou aqui na Raquel e tem lá na mochila um Freud (iniciação) falando de sonhos, pesadelos, neuroses ( iniciação apenas - longe daquelas fabulações acadêmicas - procurar compreender somente - um de Jung - opúsculo que li muitas vezes, mas que é um sumário bem legal -- um sobre o cérebro desses de liqüidação que paguei se muito 10 contos - mas que explica todo o funcionamento do cérebro - só que esse ainda não iniciei). Só ontem cheguei a ler um dos primeiros passos do Rubem Alves sobre religião - de lá pulei pro Durkheim - que fico em dúvida quanto à pronúncia - pois não é alemão, mas francês - li sobre a religião - outro do Antonio Cândido sobre a nossa formação na literatura - não li tudo evidentemente - mas estão lá no meu quarto me aguardando - andei lendo esses dias também sobre economia - aluma coisa apenas e de um que gosto - talvez por ser aquariano como eu: Schumpeter. Mas diz coisas legais. Vou direto no dicionário que adquiri há muitos anos. Estou querendo entender a mente humana. Suas vertigens, obsessões. É incrível como a religião é um pouco inconsistente, se levarmos a fundo. Mas não é por isso que não vamos crer. Ontem no livro do Rubem Alves li aquela famosa frase do Hume que não julga nada de valor se não for lógico-matemático. Mas ninguém liga pra isso. Faço nos meus livros coisa que não se deve fazer: dialogo com os livros, anoto, risco. Hoje mesmo li um capítulo sobre o que pensa Freud sobre os pesadelos, e o livro todo sublinhado e datado: tal e tal de 1992. Amanhã, vou tirar xerox de um capítulo de Fichte dos pensadores no qual aborda sobre o Princípio da Identidade. Tive algumas aulas na PUC, mas não conheço tão bem assim Fichte. Prefiro tirar xerox, porque vou lendo e riscando. É incrível como estou adquirindo esse hábito tosco. Talvez por influência das universidades e do curso de grego, onde acompanhávamos a tradução do professor pelas xeroxes. Depois da leitura desse capítulo de Fichte, irei escrever alguam coisa aqui nesse blogue, dialogando sobre o que penso com o PZ. Como não sei se ainda escreverei um opúsculo ou não, vou fazendo as minhas anotações --- pequenos ensaios, que um dia eu talvez reúna. Mas como ninguém se interessa. Escrevo para quem se interessar daqui uns anos. Uma coisa acontece comigo: quando escrevo, emagino escrevendo para alguém daqui uns 5o ou 100 anos. Vou registrando para esse suposto meu leitor do futuro --- que espero que seja tão e quanto curioso como eu, que procure se interessar por tudo -- mesmo por um reles teclador como eu. Não é menos incrível o meu regozijo em não ser lido pelos contemporâneos também, isso me livra de certas censuras, maneiras de evitar adversários. Só acredito no homem que escreve para ninguém -- que faça um trato somente com a sua livre e indesejável consciência. E tenho dito...

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