Saturday, January 20, 2007

Temos que encarar de frente
Na verdade o homem tem medo, porque não consegue dominar o aleatório. Por isso subjaz o embate entre ciência e religião. A religião surge onde a ciência fracassa e vice-versa. Quando o homem conseguir dominar todo o sistema onde estará inserido, ele não terá mais razão para crer. A religião sempre dominará, enquanto a ciência não conseguir sistematizar a totalidade do mundo: seus eventos futuros e suas idiossincrasias. Se querem um exemplo: atentem para o triste episódio do metrô. Quando aquela senhora -que infelizmente veio a falecer - iria supor que estaria fadada ao seu destino? Foi o imponderável (o aleatório) que a venceu. Que costumamos denominar de destino. Não conheço nada de física quântica, mas vou procurar entender um pouco. Se fôssemos analisar como num jogo de xadrez todas as possibilidades do dia -- nem um bunker nós montaríamos. A vida só é possível graças ao esquecimento. E é engraçado como nesse mundo neo ou pós-moderno valorizamos em demasia a nossa memória. Ás vezes penso: será que não seria melhor se fôssemos mais esquecediços? Mas viver sem memória também seria, a meu ver, o maior dos fracassos...

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